Muitas pessoas concordam que os jogos de tabuleiro são uma opção muito interessante para entreter adultos e crianças, e muitos também concordam que esses jogos trazem benefícios para a mente em diversos aspectos. Mas o que realmente fazem? Decidimos pesquisar um pouco mais e trazer alguns exemplos para vocês.
A Torre de Hanói é um dos jogos mais lembrados nessa hora. Indicado para um jogador, trata-se de uma pilha de discos furados de diferentes tamanhos em uma base com três pinos. O objetivo é mover toda a pilha de um pino para outro, seguindo três regras: 1) você pode mover o disco entre quaisquer pinos, tanto indo para qualquer um deles, ou voltando para o pino que estava; 2) não é permitido mover mais de um disco ao mesmo tempo e 3) não é permitido colocar um disco maior sobre um menor, sendo essa a regra principal que dá a característica do jogo. Objetivo do jogo é completar a transposição de toda a torre no menor número de movimentos possível.
Nos eventos que participamos, algumas “torres” foram adquiridas por diferentes pessoas: alunos de cursinhos pré-vestibulares, enxadristas, famílias com autistas, treinadores de equipes de recursos humanos, colecionadores de jogos, entusiastas por treinos mentais, psicólogos, fonoaudiólogos, matemáticos, físicos, pedagogos, terapeutas, palestrantes, entre outros. O que nos levou a observar um interesse em comum destes clientes: um jogo divertido que envolve desenvolvimento e treino mental.
Mas quais áreas da mente a Torre de Hanói atua? Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP – FMUSP, publicaram um artigo muito interessante chamado “Torre de Hanói: proposta de utilização do instrumento para sujeitos de 13 a 16 anos”(1), cuja proposta foi de estudar o uso da torre na avaliação da chamada “Função Executiva”, que “é a capacidade de auto-direção, auto-controle e regulação, ou seja, pré-condição de uma pessoa agir com sucesso e de forma independente”. Essa função mental está ligada à flexibilidade mental e memória de trabalho.
O estudo envolveu voluntários adolescentes, de 13 a 16 anos, em que eles treinaram para conhecer as regras da Torre de Hanói e depois jogavam com diferentes quantidades de discos. Algumas partidas com 3 discos e outras com 4 discos.
Algumas das conclusões da pesquisa indicaram que a Torre de Hanói é uma boa opção para avaliar essa Função Executiva, em especial quando havia a mudança da quantidade de discos, que permitia “avaliar a capacidade do indivíduo mudar uma antiga estratégia de sucesso e buscar uma nova.” Isso permitiu avaliar a flexibilidade mental, que é parte da Função Executiva. Ao vermos essa informação, nos reforça ainda mais uma das recomendações que sempre apresentamos nos eventos: usar a Torre de Hanói de forma gradativa, começando com 3 discos, que é o mínimo para praticar o jogo, e ir acrescentando um disco por vez, à medida em que se melhora o desempenho da partida.
O artigo completo dessa pesquisa é muito interessante e vale a leitura. Se você quiser ver todo o documento, o endereço da página está na referência logo abaixo.
E você? Quer testar suas habilidades? Conheça a nossa versão da Torre de Hanói. Disponível em nosso site http://www.meubumerangue.com.br/torredehanoi.html
Acesse e confira! Bons ventos!
Referências:
(1) SANT’ANNA, Beatriz de Andrade et al . Torre de Hanói: proposta de utilização do instrumento para sujeitos de 13 a 16 anos. Psicol. hosp. (São Paulo), São Paulo , v. 5, n. 2, p. 36-56, 2007 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1677-74092007000200004&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 01 jul. 2020.

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